Hábito da Sucção - o uso da Chupeta

O hábito de sugar está presente na criança desde a fase intra uterina. É uma preparação para a maturação da musculatura peribucal e intrabucal, para a função de sucção e deglutição após o nascimento. Portanto, a sucção desde a vida pré natal impõe-se como necessária e vital.
Mas a sucção não serve apenas para a nutrição. Na verdade, existe uma dependência individual que extrapola e se confunde com a nutrição, e para a qual a criança lança mão do dedo, da chupeta e de outros instrumentos na busca de conforto. Existem duas maneiras de analisar a sucção “não nutricional”: uma discute a dependência do hábito, e deve ter uma abordagem psicológica. A outra trata das conseqüências morfológicas e funcionais sôbre a oclusão.
A sucção não nutricional pode ser considerada normal até os cinco anos, período que antecede o início das trocas dentárias. A partir dessa idade pode tornar-se um hábito deletério. O hábito de sucção pode causar algumas deformidades nas arcadas, mas a principal a ser discutida é a mordida aberta anterior. Essa má oclusão também está relacionada com a hipotonicidade da musculatura peribucal e com o posicionamento atípico da língua.
É importante orientar o tratamento precoce, ainda na dentadura decídua, através da eliminação do hábito. O protocolo de tratamento compreende uma abordagem interdisciplinar, com fonoaudiólogo e em alguns casos com psicólogo. Uma das formas de controlar o hábito de sucção é através da Grade Palatina. A criança fica impedida de colocar o dedo na boca e de sentir o prazer de sugar. Esse tratamento deve ser realizado com a conscientização da criança, de que se trata de uma opção de tratamento, e não de uma atitude punitiva.
O papel da fonoaudióloga é adequar a motricidade oral, visando a estabilidade pós tratamento. Um número pequeno de crianças precisa ainda do apóio de um psicológo para abandonar o hábito. Assim sendo, é indicada uma abordagem precoce, não só porque melhora a autoestima da criança, mas também porque facilita a normalização das funções estomatognáticas (respiração, deglutição, mastigação e fala) e do desenvolvimento da oclusão.

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